ESTADO Saúde

“Febre maculosa: aspectos epidemiológicos e manejo clínico”, é tema de webinário para profissionais de saúde

Foto: Divulgação SES-TO

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) realizou na terça-feira, 10, transmissão do webinário “febre maculosa: aspectos epidemiológicos e manejo clínico”, destinados aos profissionais das áreas de assistência, vigilância epidemiológica, atenção primária em saúde do Tocantins e representantes do Conselho Regional de Médicos Veterinários.

O evento foi organizado pela área técnica de Zoonoses e Animais Peçonhentos da SES/TO e ficará disponível no canal do youtube da Escola Tocantinense do Sistema Único de Saúde Dr. Gismar Gomes (Etsus/TO), link: https://www.youtube.com/watch?v=NeRpC6o2rAk .

A responsável da Área de Zoonoses e Animais Peçonhentos da SES-TO, Iza Alencar pontua que “a febre maculosa é uma doença transmitida por carrapatos, com disseminação em todo o país, mas sem casos confirmados no Tocantins e na região norte, porém precisamos estar capacitados e alertas para a suspeição, investigação, diagnóstica e tratamento de pessoas que venham a adoecer”.

A capacitação também teve a participação da técnica do Ministério da Saúde, Ana Carolina Mota que falou sobre a epidemiologia da febre maculosa no Brasil. “A doença passou a ser de notificação compulsória a partir de 2001, devido a sua relevância, com registro em todas as unidades federativas, mas a maioria dos casos ficam na região sul e sudeste do país, onde se concentram a maioria dos óbitos.  Atualmente temos 153 casos confirmados, com letalidade de 23%. A partir do surto em Campinas/SP, houve um aumento significativo nas notificações, o que ocasionou uma melhora na vigilância e prevenção”, disse.

O médico infectologista, referência nacional do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Rodrigo Angerami falou sobre a importância da divulgação da doença, que vem ganhando notoriedade devido ao aumento de casos, a partir do surto em Campinas, o que incentiva a qualificação dos serviços de saúde. “A região de Campinas/SP responde por 50% casos de São Paulo, e 20% dos casos registrados no país, por isso falar sobre a experiência de Campinas na assistência dos pacientes, fluxos de vigilância é importante para os demais serviços, pois esta doença é desafiadora do ponto de vista de manejo clínico, com lesões em diversos órgãos e sistemas”, disse.

A doença

A febre maculosa é transmitida pelo carrapato-estrela ou micuim, infectado pela bactéria rickettsia rickettsii. O carrapato-estrela não é o carrapato comum, que encontramos geralmente em cachorros – a espécie amblyomma cajennense, transmissora da doença, pode ser encontrada em animais de grande porte (bois, cavalos, etc.), cães, aves domésticas, gambás, coelhos e especialmente, na capivara.

Para haver transmissão da doença, o carrapato infectado precisa ficar pelo menos quatro horas fixado na pele das pessoas e não existe transmissão da doença de uma pessoa para outra.

A doença começa de forma repentina com um conjunto de sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta, dor no corpo, dor da cabeça, falta de apetite e desânimo. Depois, aparecem pequenas manchas avermelhadas que crescem e tornam-se salientes.

Essas lesões, parecidas com uma picada de pulga, às vezes, apresentam pequenas hemorragias sob a pele; aparecem em todo o corpo e também na palma das mãos e na planta dos pés, o que em geral não acontece nas outras doenças como sarampo, rubéola, dengue hemorrágico, por exemplo. Por essa razão o médico deve observar o histórico do paciente, principalmente se ele esteve em regiões onde há cavalos ou animais silvestres ou em locais onde foram registrados casos de febre maculosa.

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